Eu estava meio assustado com os meus próprios sentimentos e com o meu corpo. Will me tocava, de leve, e eu esquecia completamente o que eu estava fazendo antes disso. Controlava o impulso de puxá-lo contra mim quando a gente se beija. Minha pele pega fogo quando sua língua enlaça a minha. Toda vez eu pensava que nossas roupas produziam calor demais entre nós e tinha vontade de tirá-las.
A gota d'água foi durante o banho. Eu estava pensando nele, sempre nele. Pensava na gente de um jeito mais íntimo, como algumas situações dos livros que eu lia. Na minha cabeça, a imagem do corpo dele até onde eu conhecia e vários "e se". E seu eu... E se ele... E se nós... Nós. Quando eu percebi, estava de pau duro. Por causa dele.
Não "me aliviei" quanto mais pensar em outra coias que não fosse "Puta merda!". Esperei passar, ou seja, demorou pra um caramba, e fui correndo conversar com Bianca. Ela riu de mim, tipo, pra caralho. Estávamos a sós e acho que nunca fiquei tão feliz por isso. Que vergonha. Imagina você tentar contar algo sério a sua irmã e ela ri.
Fiz que ia sair e ela me fez sentar, pedindo desculpas pela reação dela. A intenção dela não era me constranger, mas imagina se fosse. Bia me fez perguntas simples para obter mais informações sobre. "Há quanto tempo isso ocorre? Consegue descrever? Já viu isso em algum lugar? Tem noção ou palpite do que é?".
一 Não faço a menor ideia do que possa ser isso. 一 Confessei. 一 Só sei que é bom e viciante.
Bibia sorriu como se fosse a melhor.
一 Eu sei exatamente o que é.
Ergui a sobrancelha pra ela.
一 E o que é?
Minha irmã se recostou em seu sofá, um sorriso gigante na cara.
一 É fácil. 一 Serviu café. 一 Nico Di Angelo, seu namorado te excita.
Engasguei com o ar e com a saliva que tinha na boca. Eu tinha ouvido errado. Certeza.
一 Como é?
一 Excitação. Resposta corporal a estímulos físicos e visuais. No seu caso, vontade de sexo.
Corei.
一 Não diga essa palavra.
一 Qual? Sexo?
一 Isso. Exatamente essa. Não diga ela.
Coloquei as mãos no rosto pela vergonha e ouvi-a rir, mas não escandalosamente.
一 Niquito do meu coração, isso que você vêm sentindo por Will é algo perfeitamente normal. 一 Explicou. 一 Todo namoro tem atração sexual.
一 Ou essa.
一 Tenho toda a certeza do mundo que ele sente o mesmo por você, mas, sério, vocês dois são como lesmas se tratando de contato físico. 一 Ela bufou, meio indignada. 一 Entendo querer se guardar pro casamento e tal. Mas nem um amasso?
Eu tinha dezessete anos na época em que essa conversa aconteceu, em março. Em setembro, eu iria para o último ano do ensino médio. Namoro desde o primeiro ano. Conheço meu namorado desde os três anos de idade. Demos nosso primeiro beijo na sexta série. Mas nunca tinha dado uns amassos com ele e sexo ainda era uma palavra proibida perto de mim.
一 E se a gente acabar fazendo? 一 Murmurei a ela.
一 O que?
一 E se a gente transar?
Bianca mordeu o lábio. Ela namorava com Reyna há muito tempo. Tem até um filho com ela, mas por uma imprudência adolescente. Um descuido. Ray não foi planejado nem nasceu em um momento muito bom, contudo foi bem acolhido e é muito amado. Minha irmã não trocaria meu sobrinho por nada nesse mundo. Só que resta o grande "E se...".
一 Veja bem, não me arrependo de engravidar de Ray, largar a escola por ele e de estar onde estou, mas não quero o mesmo para você. Caso isso ocorra, foi sucedendo de forma natural e você não vai ter como se arrepender de tão perfeito que vai ser.
Assenti, processando a informação.
一 Quer um conselho? Do coração?
Concordei.
一 Se esquecer o preservativo, pílula do dia seguinte.
Corei e gritei com ela enquanto a mesma se afastava, encerrando a conversa.
✲ ✲ ✲
Eu e Will estávamos fazendo uma pesquisa para o trabalho que um professor pediu. Ênfase no estávamos, ok? Naquele momento, ríamos da nossa falta de maturidade. O nível da conversa que tínhamos naquele instante era absurda: Ele falava o shipp de algum anime ou série e eu... bem... respondia quem dominava a relação, por assim dizer.
一 Sakura e Hinata.
一 Sakura, lógico. Você duvida?
O loiro riu, negando com a cabeça. Ele estava sentado em uma cadeira enquanto eu me encostava em uma parede, de braços cruzados. As folhas do trabalho foram completamente esquecidas por nós. Gosto de nossos diálogos aleatórios. Muitas vezes, ele me ligava, mesmo sem nada importante que queria debater. Apenas queria ouvir minha voz.
一 Solangelo. 一 Disse, de repente.
Franzi o cenho com um sorriso no rosto. Falei que não tinha entendido. Seu olhar mudou, ele se levantou e veio até mim. Me encurralou na parede, não me possibilitando sair. Perguntei a mim mesmo se Andrew conseguia ouvir o quão rápido e forte meu coração batia. Tinha algo diferente no modo como ele sorria na minha direção.
一 Estou falando de nós. 一 Esclareceu. 一 Quem domina na nossa relação?
Estremeci, sentindo tudo esquentar. O meu sorriso sumiu faz tempo, dando espaço para a vergonha plena e absoluta.
一 Você. 一 Consegui sussurrar.
Foi fácil distinguir a satisfação em seus olhos, dos quais encarava com ansiedade. Seu rosto se aproximou do meu, nossos lábios a centímetros de distância, mas sem se tocarem. Se desejo matasse, eu já estaria estático no chão, tão grande a minha vontade de puxá-lo contra mim. Deuses, pensei. Que tentação. Quando ele vai parar de ser tão gostoso?
Will se inclinou, tomando minha boca com a sua. Passei os braços por sua cintura, abraçando-o junto ao corpo. Senti suas mãos no meu quadril enquanto o beijo se tornava outro. Meu corpo inteiro formigou quando senti sua pele na minha. Um arrepio me percorreu a coluna no momento que cedi passagem para sua língua.
Uma sensação completamente nova me enchia os sentidos. Demorei um pouco para perceber que era a sua intimidade coberta na minha coxa. Beijei-o com mais vontade, enchendo a mão com os cabelos de sua nuca. Um ruído verberou do fundo de sua garganta e sorri contra seus lábios.
Suas mãos desceram. Me agarrei forte ao seu corpo quando ele me levantou, me carregando até a vazia mesa do professor. De um segundo a outro, Solace estava entre minhas pernas, explorando o meu tronco por debaixo da camisa que eu usava. Enlacei seu quadril e o colei a mim.
Estávamos sem fôlego e por isso partimos o beijo, mas o loiro passou a me dar selinhos pela bochecha, pelo maxilar, pelo queixo, pelo pescoço, pelo ombro. Segurei um suspiro, pondo a mão na boca. Senti o calor de sua respiração na minha pele, o que me causou um novo arrepio. Senti-o sorrir.
Will continuou, mas com beijos mais demorados e molhados. Aperto mais seus cachos em meus dedos para conter a excitação. Seus dedos brincam com a minha pele. Sinto meu sol dar uma mordidinha em um canto do meu pescoço e arfo mais alto do que nas outras vezes. Dou mais acesso a ele.
Mas Andrew recusa e refaz o caminho até os meus lábios. Beijo-o, gostando da sensação que sua boca deixou após tocar o meu corpo. Levantei sua camisa, com a intenção de tirá-la. Meu namorado não hesitou. Se afastou para remover a peça, contudo voltou a me beijar tão rápido quanto parou. Passei as mãos por seu abdome.
O loiro me apertou com mais avidez, sugando minha língua em meio ao beijo. Reprimi um gemido contra sua boca. Cerrei o punho em seus cachos, puxando de leve. Minha pele se incendeia com mais intensidade sob seu toque. Querer não se torna mais suficiente para me expressar.
Eu preciso dele. Assim como ele precisa de mim.

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