Aviso: Linguagem imprópria (palavrões, insultos, nomes pejorativos, termos inapropriados de um jeito geral ou desrespeitosos), universo alternativo que não condiz com quase nada do universo dos personagens utilizados na fic e muitos detalhes inventados por mim (Autora).
| Fanart não é minha! Créditos à Znoze! |
Will conseguia fazer Nico se sentir relaxado, bem consigo mesmo. Ele continha o poder de fazê-lo se esquecer que ficou longe da sociedade em si por tanto tempo, o poder de fazê-lo esquecer que tinha negligenciado o contato humano durante esse anos. Will era seu porto seguro, a única coisa nova na sua vida que tinha certeza que não seria varrido para longe de si tão facilmente com o vento.
Era bem obvio o motivo de tanto receio: Medo. Adquiriu um medo terrível de ser jogado de lado. A rejeição que sofreu de seu pai foi a pior coisa que poderia ter acontecido na sua adolescência. Era nele que esperava se inspirar, era ele quem deveria zelar por ele como um pai de verdade zelaria pelo seu filho, mas... Ao contrário de todo o aguardado, ao contrário de todas as suas expectativas, Hades o expulsou, o deixou a mercê do mundo.
Os momentos que passa ao lado de Solace são os poucos em que consegue respirar sem ter pavor de sufocar com as próprias angústias. Will fazia-o esquecer-se de todas elas em instantes de bom humor e risadas. O fato era simples, certeiro e aceitável: O loiro lhe faz infinitamente bem. Muito mais do que poderia descrever plenamente.
Em um desses dias leves em que passou a tarde na companhia do amigo e voltou pra casa, Jason o flagrou com um sorriso bobo na cara e um brilho diferenciado no olhar. Seu melhor amigo lhe pôs sentado no sofá da sala e começou um breve interrogatório, o que Nico achou muito estranho, mas respondeu à todas as perguntas feitas, ou quase.
一 OK, Nico. Estou ficando preocupado. Faz o favor de me responder, sinceramente, algumas perguntinhas para que eu possa saber o que você tem 一 Disse ele, como se o moreno estivesse com uma doença gravíssima.
O ômega deu de ombros e os questionamentos vieram a toda.
一 Você se sente acanhado na presença de Will?
Nico franziu a testa, estranhando.
一 Não, obviamente.
一 Você sente alguma diferença de humor de antes de conhecê-lo pra atualmente?
一 Muita 一 Confessou sorrindo.
一 Você acha que passa muito tempo com ele?
一 Hum... Não?
一 Como seu corpo se comporta perto dele?
一 Pra quê isso, Jason?
一 Eu pedi pra você responder as minhas perguntas e você concordou 一 Reclamou ele.
一 Você pediu que eu fosse sincero. Não falou nada sobre não poder estranhar. Não é porque eu concordei que vou deixar você falar qualquer bobagem.
O garoto mais velho na sala levou uma das mãos à cabeça, bufando e balançando os cabelos na tentativa de não bater em nada pela raiva. Odiava que Nico tivesse argumentos tão bem estruturados à ponto que o vencesse tão facilmente. Porcaria!, lamenta Jason. O criei bem até demais.
一 Só me responda: Como seu corpo se comporta perto dele?
一 Eu sei lá!
O loiro bufou, se dando por vencido.
一 Você namoraria com ele?
一 Qual é a porra da conclusão que você quer com essas perguntas?
一 O que eu disse caralho?
一 Pra responder, porra!
一 Então responde, filho da puta!
一 Sim!
一 Sim o que?
一 Sim, eu namoraria com ele.
一 OK. Conversamos sobre isso mais tarde.
Nico suspirou, apoiando o queixo em uma das mãos.
一 O que vocês tem em mente pro futuro?
一 Sei lá porra! Ir num evento talvez?
一 Tá. Seja sincero: Como seu corpo se comporta quando você está na presença dele?
一 Eu não quero falar!
Jason bufou, cobrindo os olhos.
一 Em nome de todos os deuses do Olimpo... Só diz porra!
一 É vergonhoso...
一 Nico, por favor...
一 Tá! Meu rosto esquenta; se eu estiver comendo, a comida parece mil vezes melhor; meu estômago fica parecendo cemitério ao contrário e...
一 Cemitério ao contrário?
一 É...
一 Como funciona um cemitério ao contrário?
Essa foi a vez do moreno respirar fundo. Como ia explicar isso?
一 Cemitério é um lugar de...?
一 ...morte? A morte das pessoas é celebrada e sofrida em um funeral, não é?
一 Isso! Isso! Qual o contrário de morte?
一 Vida.
Bufos, reviradas de olhos e algumas arrancadas de cabelo depois.
一 No que as pessoas acreditam sobre a morte. Não venha me responder "Que a pessoa morreu" que eu não tô pra palhaçada.
一 Claro que não. Você é italiano, não circense 一 Murmurou Jason, irritado.
一 O que é?
一 Nada! Deuses...
Após muito mais estresse, os dois respirarem fundo, tentativas de manter a calma que ninguém tinha e mais alguns perrengues, eles conseguiram terminar essa conversa com um tantinho de sanidade. A autora também cansou de escrever essa conversa, senão vai ser o capítulo in.tei.ro só esses dois mongoloides discutindo e eu tenho um cronograma.
Mais tarde, Nico saiu, pois tinha um pequeno objetivo para aquele dia: Conseguir um trabalho de meio período. Precisava. Qualquer coisa que aparecesse tava excelente, só queria o dinheiro pra ajudar com as contas do apartamento. E como jovem adulto em série clichê, depois de rodar meio mundo, foi aonde? No Starbucks, sim.
Uma garota asiática com cara de enjoada e mascando chiclete foi a primeira a vê-lo entrar. Ela digitava alguns números na calculadora e fazia uma careta, como se aquele trabalho fosse o pior que ela tivesse arrumado pro verão durante o colégio e não tivesse conseguido se livrar dele. Ainda.
一 Olá, boa tarde.
一 Boa tarde 一 Ela murmurou, uma voz ainda mais enjoada 一 Qual o seu pedido?
一 Eu queria saber se estão precisando de funcionários.
A garota super maquiada com olhos pintados pro Halloween, não mencionei isso né, o olhou surpresa. Surpresa é pouco pro tamaninho, ironia, dos olhos dessa abençoada pro lado do nosso pobre Nico. Ela largou a calculadora no balcão e sumiu para dentro da cozinha, deixando o moreno plantado e constrangido.
Alguns barulhos de discussão e briga se fizeram audíveis minutos depois. Em menos de dez minutos, a garota asiática já estava saindo usando suas roupas normais e jogando uma bolsinha pequena por cima do ombro, segurando-a pela alça de correntes douradas falsas. Uma outra garota apareceu logo em seguida, a atendente Piper, visivelmente estressada.
Ao notar Nico, sorriu como se avistasse um velho amigo.
一 Olá! Boa tarde! Qual o seu pedido?
一 Olá... Eu queria saber vocês precisam de funcionários.
Piper bufou e sua expressão irritadiça retornou.
一 Agora tem, graças à Drew.
O ômega se sentiu subitamente mal, pois significava que tinha uma parcela de culpa no meio disso tudo. Vendo o desconforto no rosto do menor, a garota de cabelos de chocolate suavizou a expressão e riu. Ela deu a volta pela bancada e parou ao lado dele, passando um dos braços pelos ombros do mais baixo.
Piper simplesmente o conduziu até atrás do balcão, o levando pra cozinha e puxando um pano de algum canto quando entraram no ambiente. Ela jogou o tecido nos braços de Nico e ficou de frente pra ele, esfregando uma mão na outra. Piper parecia contente, mas seus dedos tremulavam enquanto tentava manter a postura.
一 Meus parabéns! Você é o mais novo funcionário do Starbucks! Suas atividades principais serão cuidar dos clientes tanto nas mesas quanto no balcão e supervisionar, ocasionalmente ajudar, a cozinha. Alguma pergunta?
Atordoado, ficou com o avental nos braços, sem conseguir dizer um "a".
一 O trabalho é meio período, visto que você deve ter 20 anos e faz faculdade né?
一 Curso online...
一 Ahn, por que?
一 Longa, longuíssima, história.
A garota aceitou a explicação e começou um monólogo sobre o funcionamento do lugar e o que ele teria que fazer. Depois de repassar todos os horários, receitas simples, apresentar o resto da equipe e os turnos de cada um, Nico já estava apto para seu primeiro dia de trabalho, segundo Piper.
Entregou para o menino um caderninho, uma caneta para ele anotar os pedidos, outra pra ele pôr no bolso e emprestar se necessário, um pente e o arrastou para o banheiro. O moreno teve que vestir o avental, pentear o cabelo e colocar seu melhor sorriso na cara.
Alguns dias mais tarde, seu quarto dia de trabalho, foi visitado por Will. Ele se acomodou em uma das cadeiras perto do caixa enquanto Nico registrava no sistema o pagamento de uma conta particularmente grande de um grupo de adolescentes. O loiro foi puxando papo ao mesmo tempo que o menor franzia a testa em concentração.
Quando o procedimento acabou e o grupo foi embora, Nico suspirou aliviado e parou um pouco para conversar. O mais velho contou como tinha sido seu dia e reclamou que sua irmã, Kayla, estava pegando no seu pé por causa de uma nota menor que a média que ele tira normalmente (tudo dez porque Will é nerd).
Nico riu e contou que Bianca também era muito neurótica, sendo ansiosa e paranoica por ela e pelo irmão. E foi assim durante o restante da tarde, o moreno ficou fazendo as bebidas, atendendo mesas e registrando coisas no sistema enquanto contava alguns casos sobre sua vida para o futuro médico.
Durante os atendimentos, dava pra notar que o moreno não estava gostando nem um pouco de falar com pessoas, visto que ainda tinha quase uma fobia de sair de casa e uma vergonha muito grande de interagir com os outros, mas o que mais o incomodava era que estava usando só uma peça de roupa na cor que gosta: a camiseta preta com figura de caveira no centro. O resto é um jeans normal e nada mais, pois o gerente tinha pedido para usar algo mais claro pra deixar os clientes confortáveis.
No fim do expediente, Leo e Piper começaram a reunir as cadeiras junto com o ômega e mais algumas meninas ficaram organizando a cozinha. Quando tudo já estava pronto, caía a maior tempestade lá fora e Nico precisava ir pra casa, mas estava indeciso se ia ou se ficava porque ainda tinha o que arrumar antes de fechar.
A de cabelos castanhos, percebendo sua angustia, acenou e disse que ele podia ir. Que pegasse uma sombrinha e que ele podia devolver no dia seguinte. O moreno hesitou quando chegou à porta, analisando as gotas que caíam sem descanso. Foi aí que Will parou a seu lado e pegou na sua mão. Se órgãos pudessem explodir, o coração de Nico explodiria.
一 Eu posso te levar pra casa. O que acha? 一 Sugeriu o loiro docemente.
一 C-claro. Mas como você vai me levar?
Will sorriu ainda mais abertamente e tirou o próprio casaco, uma jaqueta negra que até Nico ficou com um pouco de inveja quando viu. O mais velho vestiu a jaqueta no menor, pegou a mão dele novamente e o arrastou até alguns passos (tipo, dois passos) para o lado do estabelecimento. Lá, estacionado na calçada, se encontrava uma moto lindíssima nas cores preta e vermelha.
一 I-isso é seu?
Ao ver a carinha do menino, soprou uma risada.
一 Obviamente. Não sou tão patricinho e certinho como você pensa, Di Angelo.
O coração de Nico estava na boca. Realmente pensava que Will era aquele tipo de garoto que tira nota alta, tenta ao máximo agradar os pais e nunca levou uma advertência na vida, mas estava começando a entender que ele podia lhe surpreender além do esperado, como agora.
O loiro soltou a mão do moreno e montou na moto. Ele pôs o capacete, ajustou as fivelas de segurança, ligou a moto e aqueceu o motor. Erguendo uma das mãos em sua direção, convidou o ômega a subir também, o que ele fez com o apoio de Will. Aceitou um dos capacetes e o colocou com um pouco desajeitadamente. Segurou a cintura do mais velho, apertou fortemente e sentiu o vento na sua cara quando ele começou a dirigir.
Nico tinha muito medo dessas coisas, por isso encostou o rosto nas costas de Will e fechou os olhos bem até o fim do trajeto, que não demorou muito. Já na frente do prédio, o loiro estacionou e ficou esperando que o moreno o largasse.
一 Nick, já chegamos. Pode me soltar agora.
Aos poucos, Nico foi abrindo os olhos devagar. Quando viu que já estava em segurança, desceu da moto e ajeitou a jaqueta que vestia. O loiro também desmontou e retirou o capacete, ajudando o moreno com o seu em seguida. O ômega se virou e suspirou, aliviado pela chuva ter parado, mas era claro que ia recomeçar a qualquer momento.
一 Will, obrigado pela jaqueta e pela car...
Antes que pudesse piscar, foi encurralado na parede. O coração foi parar na garganta e seu estômago ardia de frio, como se tivessem ligado um ar-condicionado dentro dele. O mais velho estava muito perto, muito perto mesmo, e só ia se aproximando ainda mais. O rosto dele estava a apenas alguns centímetros do seu.
"Os olhos são a janela para a alma". Nico descobriu que essa expressão é completamente verdadeira, pois Will lhe encarava tão intensamente que parecia que olhava diretamente sua alma. O moreno nunca tinha se sentido tão vulnerável e seguro ao mesmo tempo. Sentia-se uma presa fácil diante de Will. Mas então...
一 Tenha uma boa noite, Nico...
E ele se afastou. Subiu na moto, pôs o capacete, ligou o motor e sumiu em um rastro de fumaça. E o menor ficou ali: O coração na mão, o rosto rubro e todos os seus sentidos paralisados. Estava tão em choque que não fez nada. Quando deu por si, a chuva voltou a cair e o moreno voltou correndo pra dentro.
No elevador, só conseguia pensar no quão perto Will estava de si, tanto que poderia ter lhe beijado. A água que escorria de seu corpo se acumulava à seus pés e o carpete não a absorvia, deixando-a se juntar. Nico se sentia constrangido e atordoado. Ele ficou tão atordoado que a outra pessoa presente que teve que apertar o botão do seu andar.
Completamente em transe, entrou no apartamento e só seguiu direto para seu quarto, rumando para sua tão amada cama para poder enfiar a cara no travesseiro e gritar. Jason, que o ouviu chegar (obviamente, visto que ele escancarou a porta e fechou fortemente), o chamou. Quando ele se virou, só viu vergonha na expressão de Nico.
一 Precisamos conversar, Jass...
C O N T I N U A
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